segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Artigo publicado no site ZAKI News do confrade Wilson Kishi, com o titulo Sandro Miguel - O Pescador de Memorias: Um mergulho afetuoso na história de Cáceres

Link do site: 

https://zakinews.com.br/sandro-miguel-o-pescador-de-memorias-um-mergulho-afetuoso-na-historia-de-caceres/

Em uma era digital onde a história muitas vezes se perde em textos complexos ou dados frios, um cacerense tem se destacado por resgatar o passado de sua cidade natal de uma forma singular.

Antes de lançar seu popular canal no YouTube, “Sandro Miguel, O Pescador de Memórias”, que tem conquistado amigos e admiradores com narrativas envolventes que trazem à tona o cotidiano e os causos das décadas passadas de Cáceres.

Sandro já compartilhava seu trabalho na Rádio Jornal de Cáceres. Seus textos em áudio eram divulgados na emissora do ex-deputado estadual Ninomiya Miguel, desde março de 2025, em um espaço chamado “História de Cáceres como você nunca ouviu”, que vai ao ar toda segunda-feira no “Jornal da Manhã”, com os apresentadores Paulo Rocha, Rony Garcia e Luiz Garcia.

Nascido na Princesinha do Rio Paraguai em 1971, Sandro Miguel da Silva Paula é historiador, escritor e bio-construtor, com vasta experiência em pesquisa e preservação histórica. Formado em História pela UNEMAT, é membro do IHGC e do PEN CLUB do BRASIL, com formação militar pelo Exército.

Sua paixão pela história local o levou a organizar a Expedição Revisora ao Marco do Jauru (2009) e a produzir documentários como “Memórias dos Soldados de Fronteira” (2019) e “Uma História do Futebol…” (2021), além de ser co-fundador do Núcleo Experimental de Permacultura e Bioconstrução do Pantanal – NEPBIO-Pantanal.

Com mais de 20 vídeos postados no YouTube, com média de 8 minutos de duração, Sandro Miguel utiliza sua própria voz e um “linguajar cacerense” autêntico para transportar os ouvintes para as Cáceres das décadas de 50, 60, 70 e 80.

Longe das datas e nomes formais, sua abordagem se concentra nas pequenas grandes histórias, contadas com detalhes de forma peculiar, com moldagem na identidade da cidade e de seu povo.

Entre os temas abordados, destacam-se: “O Cotidiano e o Povo Cacerense”, “Vendedores ambulantes de banana a mocotó”, “Bolichos, Bares e Botequins”, “As gírias e o falar cacerense”, “Piqueniques e quitutes, coisas de cacerense”, “As serenatas nas noites cacerenses”, “Os poaieiros”, “Pescando de poita”, “Travessas, becos e ruas da Cáceres antiga” e “O cururu cacerense”, “Coisas de antanho da fundação de Cáceres – o registro do Paraguay”, “Vila Maria, São Luiz de Cáceres, Cáceres – A gênese de sua fundação”, “A batalha do Geraldão”, “A rua das cabeças” e “A passagem da Coluna Prestes por Cáceres”, “Os enterros”, “A mulher de branco da ponte branca”, “Enterro de pobre” e “O menino Dimas milagreiro”.

A forma como Sandro Miguel tece essas narrativas, com detalhes e nuances que só quem ama e conhece profundamente a cidade pode oferecer, faz com que cada vídeo seja uma viagem no tempo, um reencontro com a memória afetiva de Cáceres.

Seus amigos não hesitam em elogiar a iniciativa, reconhecendo o valor inestimável de preservar oralmente essas histórias que, de outra forma, poderiam ser esquecidas.

Para quem busca uma perspectiva diferente sobre a história, mais humana e palpável, o canal “Sandro Miguel, O pescador de memórias” e suas passagens pela rádio são, sem dúvida, um tesouro a ser descoberto.

Vale a pena ouvir suas histórias e se deixar levar por esse resgate apaixonado do passado cacerense.


MENINOS DE RECADO


 

sábado, 30 de agosto de 2025

REUNIÃO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE CÁCERES

Ontem participei da reunião extraordinária do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres - IHGC, par a diplomação dos associados correspondentes. Foram diplomados nossos confrades: Maria de Lourdes Fanaia e Paulo Fanaia (de Cuiabá) e Péricles Gonçalves (de Rio Grande/RS).


Eu, dona, Emilson Pires - Micim, Vanilda Castrillon, Périclés Gonçalves, Maria de Lourdes e Olga. sentados Neuza Zattar e nosso Presidente Agnaldo Silva

Neuza, Maria de Lourdes e Presidente Agnaldo

Vanilda, Péricles Gonçalves e Aguinaldo





domingo, 1 de junho de 2025

A RUA DAS CABEÇAS.


 
O Poeta Cacerense Odair José, também referenciou a Rua das Cabeças com o poema:
A RUA FEITA DE CABEÇAS
https://odairpoetacacerense.blogspot.com/2020/12/a-rua-feita-de-cabecas.html?m=0

Conta-se uma incrível história

De tempos imemoriais da cidade

Onde ruas foram feitas de cabeças.

Conto-vos, melhor a narrativa

De uma época tão singular

Para que ninguém dela se esqueça.

Antes mesmo de haver asfalto

Quando a poeira era normal

Nas tardes da seca estação.

Difícil trafegar nas terras arenosas

E cascalho também faltava

Que pudesse cobrir o chão.

Quando chegava a época das chuvas

Tudo alagava como um pântano

E tornava-se um grande lamaçal.

Não havia nenhum calçamento

Nas ruas estreitas de nossa vila

A princesinha do nosso Pantanal.

Para preencher os buracos das ruas

Crânios de bovinos eram improvisados

Para as poças de águas e lama tapar.

As cabeças de animais abatidos

Nas redondezas da cidade para consumo

Tornava-se o meio seguro para caminhar.

Que percorre as ruas do espaço central

E trafeguem sobre os paralelepípedos

Saiba você e nunca se esqueça.

Que um dia a nossa cidade bicentenária

Teve seus logradouros cobertos de crânios

E a singular rua das cabeças


terça-feira, 15 de abril de 2025

AS LAVADEIRAS DO RIO PARAGUAI


Para conhecer um pouco da história dessas mulheres cacerenses, adquira o livro
A SOMBRA DA XIMBUVA. Memórias da Cáceres de minha infância, disponível no link abaixo.

sábado, 5 de abril de 2025

O MARCO DO JAURU


 Para conhecer um pouco mais dessa história que sobre o MARCO DO JAURU, adquira o livro NAS SALINAS DO JAURU, disponível no link abaixo.

Acesse: https://clubedeautores.com.br/livro/nas-salinas-do-jauru

segunda-feira, 31 de março de 2025

MEMORIAS DE UM CARROCEIRO

 


Para conhecer um pouco da história das memórias dos Carroceiros da Cáceres antiga adquira o livro A SOMBRA DA XIMBUVA. Memórias da Cáceres de minha infância, disponível no link abaixo.

domingo, 16 de fevereiro de 2025

VILLA DEL MARCO DEL JAURU, UM PROJETO DE EXPANSÃO TERRITORIAL BOLIVIANA DO SÉCULO 19.

Este texto é um recorte do livro "NAS SALINAS DO JAURU"
Sandro Miguel da Silva Paula 


Tela: La batalla de Ayacucho, “último monumento para la gloria del Ejército Libertador” https://elhistoriador.com.ar/la-batalla-de-ayacucho-ultimo-monumento-para-la-gloria-del-ejercito-libertador-2/


A Bolívia inaugurou sua vida como povo independente em 1825, frente a três séculos de domínio espanhol, após um longo percurso de conflitos internos que se estendeu por 15 anos, desde 1809. 

Entretanto, havia vários problemas a resolver, dadas suas ligações coloniais com o Peru e as Províncias Unidas do Rio da Prata e uma imaturidade inicial, que dava luz aos caudilhos cujas ambições de poder, criaram uma permanente instabilidade política e social que levou o país a assistir movimentos revolucionários e governos provisórios que caiam frente a sanha da independência.

Em meio aos desafios de organizar a república boliviana, assume ditatorialmente o governo em 1839 o General José Ballivian.

Em março de 1844, Ballivian determina a organização de uma expedição cuja missão era de reconhecer toda a extensão de fronteira da Província de Chiquitos com o Império do Brasil e estabelecer núcleos militares e povoações.

Para comandar a expedição foi nomeado o Prefeito do Departamento de Santa Cruz, o Coronel Fermín Rivero.

Rivero partiu de Santa Cruz a frente de um batalhão de infantaria de 300 praças, comandado pelo Coronel Manuel Franco, de um esquadrão de cavalaria com 20 cavaleiros, comandados pelo Coronel Agustín Saavedra, e de 100 homens da cavalaria da Guarda Nacional dos distintos povos de Chiquitos como guias ao comando do Coronel Sebástian Ramos.


Recorte do mapa da República da Bolivia mandado publicar pelo Governo da Bolívia em 1859 (Mapa completo). La cartografía fue levantada y organizada entre 1842 y 1859 por el Teniente Coronel Juan Ondarza, el Comandante Juan Mariano Mujica y el Mayor Lucio Camacho.

Para conhecer um pouco mais dessa história que envolveu o MARCO DO JAURU, adquira o livro NAS SALINAS DO JAURU, disponível no link abaixo.

Acesse: https://clubedeautores.com.br/livro/nas-salinas-do-jauru



terça-feira, 14 de janeiro de 2025

EM 15 DE JANEIRO DE 1754, A 271 ANOS OCORREU O ASSENTAMENTO DO MARCO DO TRATADO DE MADRI NAS BARRANCAS DO RIO PARAGUAI.

Imagem extraída da Revista O Cruzeiro - Edição 034/1953. p 33.
Acesso em 14 janeiro de 2025: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=003581&pasta=ano%20195&hf=memoria.bn.br&pagfis=86684

Partindo da Ilha de Martin Garcia(Argentina/Uruguai) em 02 de junho de 1753, com destino a cidade de Assunção no Paraguai e depois até a foz do Rio Jauru, para assentar o Marco do Tratado de Madri (1750), seguiu as Terceiras Partidas Limites da Comissão Sul do dito tratado.

Uma jornada que demorou 7 longos meses até a conclusão da missão de demarcação do acordo entre os reinos de Espanha e Portugal com o assentamento do marco de mármore nas barrancas do Rio Paraguai em 15 de janeiro de 1754.



Os derradeiros dias do fim dessa jornada descreveremos neste recorte, tomando como referencia o Diário da Terceiras Partidas de Limites.

10 de janeiro de 1754: (...) "As 3 horas e meia da tarde chegamos onde estavam as canoas do Cuiabá esperando-nos defronte da ilha e serra dito, alojadas na encosta ocidental do Rio Paraguai e uma boca que nela servia mais adiante, disse o oficial e práticos de Cuiabá que era o Rio Jauru 



"Havendo trazido a Demarcação até este sitio donde se devia colocar o Marco de mármore que trazíamos foi preciso reconhece-lo, e assim no dia 10 de janeiro pela manhã fomos em uma canoa os dois comissários e cosmógrafos com o oficial que havia vindo de Cuiabá, e navegando rio acima pelo Paraguai a curto espaço chegamos a uma boca de riacho tapada com erva, a qual disseram os práticos de Cuiabá e Mato Grosso que era a boca antiga do Jauru, que mais acima estava a que servia atualmente para desaguar o dito rio no Paraguai. Paramos diante e  entramos por ela, pelo Rio Jauru até duas léguas para dentro a onde achamos  a gente que conservavam suas vacas que havia enviado o Capitão general de Cuiabá para refresco das Partidas. Tomamos Rio abaixo ate o sitio do acampamento, reconhecendo o terreno ou ponta que formão ...


os dois rios ficando toda a boca do Jauru livre para cima ou ao Norte em cujo sitio se devia colocar o marco referido. Porém se achou alagadiço de terra frouxa e baixa que alagam as crescentes, e assim pelo não expor a que se enterrasse ou caísse, não se determinou a colocação nele, senão no mesmo acampamento sobre as ruinas de uma casa, onde viveu alguns anos um Portugueses com sua família natural do Cuiabá. Persuadido por isso, de que estava seguro de inundações. O terreno duro, e em alta barranca, delineou (sic) e entrarão os trabalhadores a tirar as pedras dos barcos a  conduzir pedra para o alicerce ou fundamentos e mais coisas precisas.

O dia 13 de janeiro se foi a reconhecer o Rio Paraguai para cima se achou que a sua margem oriental vê a serrania de S. José, que segue, e a ocidental tem barranca mediana. Sondou-se o rio de fronte da ponte do sul da ilha, e se acharão 20 pés de rey de agua em o braço ocidental que forma a ilha, e em oriental 13, e ao N. dela quando vão unidos, era também o canal de mesmo fundo. Levantou-se o plano geometricamente, tinha o rio de largo desde a margem do acampamento a ilha 117 1/4 toesas, medindo sobre o rumo O.L. E desde o sitio onde se colocava o Marco até a boca nova do Jauru 275 toezas. (...)

Já estava  tão adiantado o trabalho do Marco que o dia 15, pela tarde se concluiu pondo-se a Cruz que o remata, a estrondos de repetidas salvas, e vivas aos Reys, com comum alegria, e gosto.
O dia seguinte disse Missa junto dele o Reverendíssimo Padre José Quiroga e depois de concluída o benzeu.
Ficou colocado sobre um fundamento de pedra e cal de 8 1/2 pés de profundidade, e 8 pés de largo em quadro, e de modo que as armas de Portugal olhão retamente ao N.E. e as de Hespanha ao S.O.
O dia 16 veio uma canoa pelo Rio Jauru abaixo depois de haver deixado no porto, (...) que tem arriba as cartas do Comissário de S.M.F (Sua Majestade Fidelíssima) para o Capitão General que ao presente estava em Mato Grosso.
Depois de tudo isto determinou a volta rio abaixo, que se empreendeu no dia 17 de janeiro."


E assim foi concluída a jornada da Terceiras Partidas de Limites que percorreu o interior da américa meridional para fincar a peça de mármore conhecida como Marco do Jauru.


fontes consultadas: 
do livro Nas Salinas do Jauru de Sandro Miguel da Silva Paula (2025). 
Diario das três partidas de demarcação da América em virtude do tratado de limites ajustado entre as duas coroas de Espanha e Portugal, pode ser acessado no endereço: https://bdlb.bn.gov.br/acervo/handle/20.500.12156.3/268677